Reforma Tributária

28 de julho de 2026

Fornecedor mais barato pode custar mais com a Reforma Tributária: entenda o impacto do crédito de IBS e CBS

A Reforma Tributária trouxe uma mudança silenciosa, mas poderosa, nas compras B2B: o custo real de um fornecedor não é mais o valor da nota fiscal, e sim o valor líquido depois do crédito de IBS e CBS que você consegue aproveitar.

O que muda na prática para quem compra

Até hoje, na maioria dos casos, o preço que você via na nota era o custo final da mercadoria ou serviço. Com a chegada do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual/municipal) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal), que substituem ICMS, ISS, PIS e Cofins, surge o mecanismo de crédito financeiro.

Funciona assim: quando você compra de um fornecedor que emite nota com IBS e CBS destacados, você ganha um crédito para abater do seu próprio imposto a pagar. Quanto maior o crédito destacado na nota do fornecedor, menor o seu custo real.

Exemplo simples: imagine dois fornecedores vendendo o mesmo produto por R$ 1.000.

  • Fornecedor A (Lucro Real/Normal): emite nota com R$ 200 de IBS+CBS. Você credita R$ 200. Custo real: R$ 800.
  • Fornecedor B (Simples Nacional): emite nota com R$ 50 de IBS+CBS (alíquota reduzida do Simples). Você credita só R$ 50. Custo real: R$ 950.

O fornecedor “mais barato” no papel pode sair mais caro no bolso se ele gerar menos crédito para você.

Por que o Simples Nacional gera menos crédito

Empresas do Simples Nacional recolhem os tributos por uma alíquota única e reduzida, baseada na faixa de faturamento. Na Reforma, elas continuam no regime simplificado, mas a nota fiscal que emitem trará o IBS e a CBS calculados sobre essa alíquota reduzida.

Já empresas do Lucro Real ou Lucro Presumido (fora do Simples) apuram IBS e CBS por fora, com alíquotas cheias (a alíquota padrão estimada gira em torno de 26% a 28% no total). Logo, a nota delas carrega muito mais crédito para o comprador.

Segundo o Jornal Contábil, essa diferença fará com que empresas precisem rever fornecedores e contratos já a partir de agosto, quando a nova NFS-e passa a exigir os campos de IBS e CBS, e em setembro, quando muitas empresas decidem se permanecem ou saem do Simples Nacional para 2027.

O calendário que você precisa ter no radar

Dois momentos-chave se aproximam e vão exigir decisões rápidas:

  • Agosto de 2026: a nova NFS-e nacional passa a exigir os campos de IBS e CBS preenchidos em toda nota de serviço. A partir daí, você passa a ver na prática quanto crédito cada fornecedor gera.
  • Setembro de 2026: prazo para a opção pelo Simples Nacional valendo para 2027. Muitos fornecedores seus vão avaliar se compensa sair do Simples para gerar mais crédito aos clientes (e assim ficar mais competitivos).

Se você não estiver atento, pode fechar contratos anuais com fornecedores que, a partir de 2027, deixarão de ser vantajosos — ou perder a chance de renegociar com quem vai sair do Simples e passar a gerar crédito cheio.

O que isso significa para o dia a dia da sua empresa

Não é só uma conta de contador. É uma decisão de gestão de compras e suprimentos:

  • Compras recorrentes (insumos, materiais, serviços de manutenção, logística) ganham peso novo na negociação.
  • Contratos de longo prazo precisam de cláusulas de revisão caso o regime tributário do fornecedor mude.
  • Homologação de novos fornecedores deve incluir, a partir de agora, a simulação do custo líquido com crédito de IBS/CBS.
  • Fornecedores atuais no Simples podem procurar você para avisar que vão mudar de regime — ou você pode antecipar a conversa.

O escritório já está ajudando clientes a montar uma planilha de custo efetivo por fornecedor, cruzando o preço de tabela com o crédito estimado de IBS e CBS. Quem faz esse dever de casa agora evita surpresas no fluxo de caixa no ano que vem.

O que você deve fazer agora

  • Faça uma simulação do crédito de IBS/CBS dos seus 10 principais fornecedores (valor da nota x crédito estimado = custo real).
  • Revise contratos de fornecimento com vigência além de dezembro de 2026: inclua cláusula de revisão de preço se o regime tributário do fornecedor mudar.
  • Converse com fornecedores estratégicos que estão no Simples Nacional: pergunte se pretendem mudar de regime em 2027 e como isso afeta o preço para você.
  • A partir de agosto, exija a NFS-e com IBS e CBS destacados — é o documento que comprova o crédito a que você tem direito.
  • Agende uma conversa com aula rápida com a equipe de compras: explique que “preço de nota” não é mais “custo real”.

Quer saber mais sobre custo efetivo dos seus fornecedores e sair na frente na negociação? Fale com a gente pelo WhatsApp — a gente explica sem juridiquês e cuida da parte burocrática por você.

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